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sábado, 2 de junho de 2012

Páginas de diário


A desconcentração da aula fez com que olhasse fixamente para o homem que estava do outro lado da janela, sentado com um jornal na mão e com um dedo a bater no lábio superior, concentradissimo naquilo que lia. Ficou assim durante meia hora, sempre com o mesmo movimento e não se mexia para além do seu dedo. E eu, tão curiosa que era, estava mais atenta em perceber o porquê de tanta atenção naquela noticia, do que estar atenta à minha aula que iria valer mais para o meu futuro. Mas não, o movimento do homem alto e concentrado era mais interessante do que uns gregos quaisquer.
*
Ela diz que não é razoavelmente boa naquilo que faz. Rebaixou-se sem sequer tentar, sem primeiro pedir opinião de outro qualquer. E eu, bem... eu quando a vi a dramatizar daquela maneira, chorei. Senti tudo, senti um afeto tão grande por aquela Maria. E era apenas uma dramatização.
*
Ohh... oh gente porque todos vós excluis o Homem primitivo das vossas vidas? Porque o rejeitam como se fosse um monstro que não pertencesse aos nossos antepassados? Pois, sabeis que quando saio do meu cubículo e me deparo com as ruas desta cidade, a imagem nos meus olhos são só homens primitivos e um deserto. A nossa sociedade está num caos e todos nós andamos com barbas grandes e caminhamos de forma estranha, pois só falta essa imagem para completar a cidadania de hoje em dia.
*
As luzes do escuro, não se tornam uma metáfora ou outra função sintática. Existe sim uma luz no escuro, uma luz que só pode ser sentida e não vista. Uma luz que apenas cada um pode ver dentro de si, a luz e o brilho de cada alma.
*
Mas o que será que quer dizer ela com o "assunto do caroço". Não sei, não faço a mínima. Mas várias questões passam-me pela cabeça e os meus olhos parecem maquinas giratórias de um casino. Mas depois apercebi-me que é o coração do assunto, o órgão que faz a língua dar e ar para criar um bom tema de conversa. Uma conversa que todos nós ansiamos por não acabar. E tudo isto foi puxado pelo assunto do caroço. 

Joana Almeida, 11º E

sábado, 17 de março de 2012

Uma página


Diário literário
Sermão aos peixes
Animais que apenas têm segundos de memória
Às vezes parece que são melhores ouvintes
Que os próprios seres humanos.
Seres que parecem não ter acesso a toda
Essa peculiar inteligência
Que não está atribuída a mais nenhum ser.
Prosódia
Esse movimento que ele faz, que deixa toda a gente pasmada a olhar, como se se exprimisse apenas com os movimentos e não com as palavras.
Esse mexer do corpo que conduz o olhar de toda a gente, como se estivessem a ver um ator no palco onde vão assistir ao espetáculo,  a luz está toda focada sobre ele. E que o espetáculo comece! Ou melhor, que o discurso comece.
Reflexão antes de escrever o sermão
Paro e penso que tenho de transmitir o que estou a sentir às pessoas. Tento refletir sobre a melhor maneira de captar a atenção delas, fazer com que fiquem a pensar durante muito tempo e que vasculhem nas suas ideias desarrumadas o sentido das minhas palavras.

Início do sermão
Nesta noite, eu gostaria de compartilhar com os irmãos a minha reflexão sobre a frase “ fiat lux “, que é a frase que foi dita quando Deus criou o Universo. Apenas disse essas duas palavras e fez-se luz.
Era bom que na mente de todas as pessoas se fizesse luz com esta tamanha facilidade com que Deus criou a luz na terra. Luz que está todos os dias à vossa frente. À frente dos vossos olhos e que não é absorvida. Apenas é vista como mais uma das coisas naturais presentes no nosso meio, e não como uma bênção, uma sorte. Esta luz que nos permite ver por onde vamos e com quem lidamos no nosso dia - a - dia. Essa luz que nos permite ver e nos deixar ver.
Se cada um de nós tivesse essa luz dentro, o mundo seria melhor. O pensamento seria mais claro, as palavras mais claras, a pessoa seria mais transparente… 
Nem tudo é possível, pois nem todos captamos a luz, vivemos num mundo obscuro onde a mentira vagueia entre nós e parece que o mundo usa uma máscara para disfarçar toda a sua hipocrisia, tem uma face oculta, é um lugar onde ninguém se conhece verdadeiramente, pois escondem a sua verdadeira identidade…
Este tema que abordei aqui brevemente, é tão fácil e ao mesmo tempo tão complexo, que vou deixar que a luz que tenho dentro de mim se reflita e conduza o meu sermão, mas… necessito do seu auxílio e também da sua luz, Ave Maria.

Vanessa, 11º E








sábado, 28 de janeiro de 2012

Tecendo como deuses

As mãos são de meninos e meninas do primeiro ciclo que estiveram na escola num workshop em que os formadores foram alunos de 11º ano numa aula de Projeto e Tecnologias em ambiente de concentração, entrega, silêncio, como só as crianças sabem fazer quando estão apaixonadas por aquilo que as ocupa.
                                         (foto da professora Eli)
Tecem uma estrutura que se repete na diversidade da cor.
Como deuses.
                                            (foto da professora Eli)
Na tragédia grega os deuses brincam assim com o destino dos homens.
                                          (foto da professora Eli)
Como humanos.